Diante de negociação avançada com o bloco parlamentar conhecido como Centrão, o presidente Jair Bolsonaro foi obrigado a mudar o tom do discurso na manifestação favorável ao seu governo realizada na Praça dos Três Poderes, em Brasília, neste domingo (17).

Dessa vez, houve cuidado até mesmo de seguranças do Palácio do Planalto para evitar faixas com mensagem antidemocráticas. Mesmo assim, vários apoiadores seguravam cartazes e faixas em defesa do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Integrantes do Centrão ouvidos pelo blog avaliam que Bolsonaro fez um gesto de aproximação política com o bloco, num momento em que precisa ter uma base de segurança no Congresso Nacional para barrar um eventual processo de impeachment ou mesmo uma denúncia por parte da Procuradoria Geral da República (PGR).

A avaliação no próprio Centrão é de que a situação de Bolsonaro na investigação de interferência política na Polícia Federal ficou mais complicada após entrevista do empresário Paulo Marinho à "Folha de São Paulo".

Ao jornal, o empresário afirmou que o senador Flávio Bolsonaro foi avisado que a PF realizaria uma operação e que o ex-assessor dele Fabrício Queiroz seria um dos atingidos.

“O novo tom de Bolsonaro, sem ataques ao Congresso, não é por acaso. No momento em que está negociando apoio com deputados, ele não poderia ficar atacando o Congresso. Isso seria fatal para essa negociação”, disse ao blog um líder de uma das legendas do Centrão.

O Planalto iniciou a distribuição de cargos e está negociando a liberação de emendas para conseguir formar uma base de 250 deputados.


Por Gerson Camarotti

Comentarista político da GloboNews, do Bom Dia Brasil, na TV Globo, e da CBN. É colunista do G1 desde 2012