Por Larissa Passos, G1 DF

 


Entrega por delivery, devido ao coronavírus no DF — Foto: Dona Zuca/DivulgaçãoEntrega por delivery, devido ao coronavírus no DF — Foto: Dona Zuca/Divulgação

Entrega por delivery, devido ao coronavírus no DF — Foto: Dona Zuca/Divulgação

Após o decreto do governador Ibaneis Rocha (MDB), que determinam o fechamento de instituições públicas e privadas, shoppings, bares, restaurantes e outros serviços, devido ao coronavírus. Empresários do Distrito Federal tem buscado novas alternativas para continuar trabalhando.

Com o avanço da pandemia do coronavírus na capital, empresas vêm apostando no uso de delivery. O serviço ocorre por meio de aplicativos, vendas por aplicativos de mensagem.

A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), informou na última quinta-feira (19) que algumas lojas virtuais registraram aumento de 180% nas vendas online no Brasil desde 12 de março. As altas ocorrem nas categorias de alimentos, bebidas, beleza e saúde.

Na porta dos clientes

Restaurante fechado, após decreto do Ibaneis em Brasília — Foto: Dona Zuca/DivulgaçãoRestaurante fechado, após decreto do Ibaneis em Brasília — Foto: Dona Zuca/Divulgação

Restaurante fechado, após decreto do Ibaneis em Brasília — Foto: Dona Zuca/Divulgação

O empresário Lucas Ferreira Rodrigues, de 29 anos, conta que as vendas iam bem antes do crescimento dos casos de coronavírus na capital. No entanto, o faturamento da empresa já caiu 60%, o que provocou mudanças

Segundo Lucas, o horário do restaurante precisou ser alterado para que colaboradores evitem de pegar transporte público em horário de pico. Além disso, começaram a adotar o delivery, para evitar contato e aglomeração de pessoas na loja.

Para Lucas, o decreto é "muito importante pelo bem comum, mas pouco coerente em relação ao segmento" da alimentação.

"Concordo que tenhamos que ficar isolados e afastados, é um caso de saúde pública. Mas qual tipo de apoio ou incentivo temos recebido nesse momento?”.

O empresário disse que as mudanças viraram a vida deles de cabeça para baixo. "Muita preocupação com a nossa saúde e a dos nossos familiares (pais e avós) e preocupação com a saúde dos nossos colaboradores”, desabafou Rodrigues.

“Não está sendo nada fácil. Buscar inovar com o que temos disponível e orar para que esse terrível momento passe o quanto antes”.

Maquininha e álcool gel

Já o dono de uma coquelateria na Asa Sul, Gustavo Lima Guedes, de 33 anos, relatou que o restaurante tinha uma “pegada muito forte de socialização” e com esse momento de crise, para que os clientes não percam a experiência decidiram ofertar delivery e take out.

“O cliente nos liga e vem buscar a comida aqui na porta. Levamos no carro junto com a maquineta e dispense de álcool para higienizar as mãos após fazer o pagamento”.

Restaurante Southside, no DF — Foto: Southside/DivulgaçãoRestaurante Southside, no DF — Foto: Southside/Divulgação

Restaurante Southside, no DF — Foto: Southside/Divulgação

Além disso, Gustavo diz que começou a oferecer drinques engarrafados, que são os mais pedidos do restaurante para o consumidor. “Levam até gelos especiais e a decoração certa para o cliente poder se distrair da quarentena”, afirmou.

No entanto, Lima afirma que houve uma redução de 50% ou mais durante a crise, mesmo adotando medidas de prevenção no ambiente.

“Antes de explodir o contágio, nós já estávamos guiando a equipe sobre uma conduta mais segura de mínimo contato, espalhando dispenses de álcool pela casa (inclusive deixando nas mesas), alternando as mesas para evitar aglomeração e reforçando as regras de vigilância que já seguíamos à risca”.

Psicoterapia

A psicóloga, Priscilla Antunes de Miranda, de 50 anos, há duas semanas começou a realizar atendimento aos seus pacientes via Skype ou vídeo do whatsapp, devido a procura e o isolamento social perante a pandemia do coronavírus, no Distrito Federal.

De acordo com a Priscilla, devido o país está passando por uma crise, há o aumento de casos de transtornos mentais como pânico, ansiedade e depressão. “Já me falaram que não estão sabendo lidar com o estresse”, afirmou a psicóloga.

“Dizem que estão com medo. Medo do que está por vir. Dizem que estão ansiosas e que não estão sabendo como lidar com a situação. Alguns precisam só de um espaço para falar dos seus medos e outros me procuram para dizer que tudo isso é uma conspiração do universo, ou dos chineses”, disse Antunes.

Priscila contou ao G1 que o atendimento está funcionamento muito bem e que os seus pacientes a agradecem pelo suporte. “Depois de todo atendimento, agradecem por ter esse espaço para falar e ficam felizes, porque ainda existe internet”, relatou.

No entanto, a psicóloga explica que tem enfrentado barreiras no atendimento clínico por meio do convênio. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não se posicionou em relação aos planos de saúde para o serviço. Já o Conselho Federal de Psicologia (CFP), autorizou o atendimento è distância quem não tem cadastro no conselho.

Para Priscilla, os atendimentos são tão importantes quanto o físico.

“Uma mente desequilibrada, desequilibra o sono, e consequentemente fragiliza o corpo, baixa a imunidade e abre as portas para a entrada de qualquer doença”

O que diz a ANS?

G1 procurou a ANS em busca de um esclarecimento, e a agência disse a realização de serviços psicológicos à distância deve ser regulamentada pelo CFP e a agência não impende a prática, desde que respeite as atribuições do conselho. Veja íntegra abaixo:

"A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) esclarece que a prestação de serviços psicológicos realizados por meios de tecnologias da informação e de comunicação à distância é matéria regulada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). A regulação da saúde suplementar não impede a prática, desde que respeitadas as atribuições do referido conselho profissional. A Agência destaca, contudo, que a realização desse tipo de atendimento na saúde suplementar não pode comprometer a assistência a que os beneficiários de planos de saúde têm direito, dentro dos prazos máximos estabelecidos pela reguladora.

Neste momento em que o Brasil enfrenta a pandemia de Coronavírus e dada a importância do isolamento social como forma de desacelerar o processo de contaminação, a ANS reforça a importância da adoção de formas de comunicação à distância. Assim, a Agência está orientando que os beneficiários de planos de saúde evitem circular pelas ruas e se dirigir a unidades de saúde se não houver necessidade, dando preferência a se aconselhar com seu médico ou fazer contato com sua operadora por telefone ou usando outras tecnologias que possibilitem, de forma não presencial, a troca de informações para diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças.

As orientações devem estar alinhadas às orientações sobre o tema previstas no Guia Metodológico para Programas e Serviços em Telessaúde".

Telemedicina

Telemedicina permite a análise online de exames — Foto: Reprodução/TV GloboTelemedicina permite a análise online de exames — Foto: Reprodução/TV Globo

Telemedicina permite a análise online de exames — Foto: Reprodução/TV Globo

O Conselho Federal de Medicina autorizou nesta quinta-feira (19) a chamada telemedicina – consultas remotas com médicos para orientação com pacientes, devido ao período de combate ao coronavírus no Brasil.

Até o momento, o recurso só poderia ser utilizado para o contato entre profissionais da saúde, devido ao caráter de urgência, os médicos poderão atender a população à distância para tirar dúvidas, orientar a respeito do isolamento, analisar exames e supervisionar tratamentos já prescritos.

Durante coletiva na terça-feira (17), o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta admitiu que o Brasil deve começar a se “preparar para telemedicina” devido a pandemia no país.

“Vamos utilizar de toda a potencialidade da telemedicina, ela não será somente de médico a médico, será aberta de maneira geral as pessoas poderem fazer consultas tendo do outro lado profissional de saúde capacitado para poder fazer o manejo clinico”.

Mandetta explica ainda, que telemedicina passa a ser padronizada, porém há dúvidas de como será a condição de atendimento da medida. "Se eles têm condição de atender uma chamada, um tom de chamada muito intenso ou se faremos isso num 0800 de serviço nacional e estratificado aqui", afirmou.

O ministro declarou que já há uma definição do algoritmo de como fazer, pois já vem sendo construída nos últimos 30 dias. "Vai ser uma grande ferramenta para podermos trabalhar", afirmou.

Fisioterapia para idosos

Fisioterapia para idosos, no DF — Foto: 3id/DivulgaçãoFisioterapia para idosos, no DF — Foto: 3id/Divulgação

Fisioterapia para idosos, no DF — Foto: 3id/Divulgação

A diretora executiva de uma rede de fisioterapia especializada e exclusiva para terceira idade, Fabiane de Castro Vaz, vem adotado novas medidas de enfrentamento contra o coronavírus e, especialmente com o objetivo de proteger os idosos, considerado como grupo de risco.

Segundo Fabiane, a empresa teve que abdicar de todas as atividades com intuito de evitar a contaminação, suspendeu atividades externas e foram restritos ao quarto um profissional por andar, sem a utilização de equipamentos, apenas atividades individuais.

“Por sermos da saúde, temos uma obrigação social de cuidar, desde que essa seja feita com todos os cuidados e condutas de segurança”, declarou a diretora.

A diretora explica que o atendimento acontece na casa dos idosos também e, tem como objetivo em manter a saúde do idoso, “não deixar que a inatividade o regrida fisicamente e o debilite”.

De acordo com Castro, a empresa conta com uma equipe digital que fornece aos idosos vídeos com atividades para serem realizadas, além disso, encaminham mensagens informativas e realizam telefonemas para acompanhar o estado de saúde de cada um diariamente.

Fabiane destaca que ainda, que vem utilizado as redes sociais da rede com series de vídeos para quem quiser fazer com o idoso em casa. “Temos que incentivar, porque atividade física na terceira idade é de uma importância sem tamanho”, afirmou.

No entanto, a diretora explica que recebiam em média 1500 atendimentos por mês, e atualmente houve uma queda de 70%, após o surto na capital.

“Nossos pacientes se sentem vulneráveis, obviamente, com receio, mas os mais debilitados precisam de cuidados dos profissionais de saúde”.

Curso de inglês por videoconferência

Curso de inglês por videoconferência, no DF — Foto: Michelle Bareu/Arquivo Pessoal Curso de inglês por videoconferência, no DF — Foto: Michelle Bareu/Arquivo Pessoal

Curso de inglês por videoconferência, no DF — Foto: Michelle Bareu/Arquivo Pessoal

Michelle de Abreu, de 34 anos, dona de um curso de inglês e professora em Águas Claras, começou a adotar neste sábado (21) aulas por meio de videoconferência, após o decreto do governador do DF de fechar instituições públicas ou privadas, para evitar a aglomeração de pessoas diante o surto.

De acordo com Michelle, esse tipo de modalidade não é comum no curso, no entanto, teve que se adaptar a crise. “Tudo na tentativa de engajar o aluno, mantê-lo estudando sem perder a qualidade do ensino”, disse a professora.

Abreu explica que os alunos terão aulas nos mesmos horários que faziam presencialmente e, também ganharão a vantagem de ter mais atividades on-line ao longo da semana.

“A resposta da maioria tem sido muito positiva com essa mudança. Estão todos conscientes da necessidade de mudança e também felizes por poderem, até certo ponto, prosseguir com a vida normal”.

A professora contou ao G1 que a dinâmica deu certo e no início estava apreensiva de não funcionar. “Os alunos adoraram e os professores também. Estávamos bem apreensivos, mas deu tudo muito certo”, declarou.

A proibição de comércios e atendimento ao público em decreto vale até o dia 5 de abril. Até a última atualização desta reportagem, o GDF não confirmou se vai prorrogar o prazo.

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